Compartilhe empoderamento

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Eu conheço garotas que buscam atingir um padrão.

Esse padrão exige delas as medidas perfeitas: bustos, cintura, quadril, bunda, coxa.
Tudo em “harmonia”, como as capas de revista costumam dizer. Tudo em sintonia para o verão.

Eu conheço garotas que vomitam depois do almoço.
(Na mesa, com os talheres à mão, tudo parece bem e tranquilo. Após a refeição, sem esperar muito, o banheiro é o primeiro lugar a ser visitado.)

Eu conheço garotas que não suportam comer qualquer coisa que seja.

Eu conheço garotas que choram ao passar em frente à uma vitrine de roupas.

Eu conheço garotas que não se reconhecem em seus próprios corpos.

Eu conheço garotas que tomam remédios para não sentirem fome.

Eu conheço garotas que cortam seus pulsos por se sentirem desajustadas nesse mundo.

Eu conheço garotas que querem se sentir desejadas, poderosas, esplêndidas.
Mas não conseguem, são proibidas.

Eu conheço garotas que cresceram fazendo dieta extremamente restritivas desde pequenas…

Eu conheço garotas que não conseguem se olhar no espelho sem chorar por horas.

Eu conheço garotas que não saem mais de casa.

Eu conheço garotas que pensam em se suicidar pelo menos uma vez por semana.

Eu conheço garotas que já passaram por cirurgias estéticas antes dos 21 por causa de muita pressão em casa.

Eu conheço garotas que não sabem o que é passar um dia sem odiar o próprio corpo.

Eu conheço garotas que sofrem caladas.

Eu conheço garotas que cheiram cocaína, injetam heroína para suportar o peso que foi mostrado na balança.

Eu conheço garotas que abusam do alcool para suportar as noites sozinhas nas ruas.

Eu conheço garotas que usam cintas ao redor da cintura, extremamente apertadas.

Eu conheço garotas que se dopam de remédio para conseguir dormir com a culpa de ter comido na hora do jantar.

Eu conheço garotas que estão brincando de roleta russa com a morte neste exato momento.

Eu conheço garotas que estão agora, rasgando suas peles com uma lâmina afiada.

Eu conheço garotas em estado de depressão terrivelmente profunda.

Eu conheço garotas violentadas pela mídia, violentadas pelo mundo. 

Eu conheço garotas que são impedidas de terem o corpo de acordo com o que sentem que é melhor para si.

 

 

Charcoal Drawing | 9x 12in | 2012

Charcoal Drawing | 9x 12in | 2012

 

Eu já fui uma dessas garotas.  Eu sou um dessas garotas em algum momento, ainda.  Mas eu continuo aqui para demonstrar meu apoio e ajuda mútua, e também, porque preciso disso. Por isso, deixo aberto este blog  para qualquer garota que queira contar sua história a mim e que permita que ela seja publicada aqui, para que assim, seja mais uma fonte de apoio às outras.

Eu conheço várias garotas mas não sei suas histórias de vida, o que passaram, quais foram suas felicidades e dores ao longo de sua existência. Mas eu quero conhece-las. Quero saber quais são seus pensamentos, anseios, desejos, aflições.

Me envia um email um dia desses, se quiser. Assim, a gente divide a dor e compartilha empoderamento.
compartilheempoderamento@gmail.com

 

 

4 Comentários

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  1. ellis

    oi! eu semper fui magra,e não me recordo de ter sido “gordinha”um só dia da minha vida… mas entendo demais o que é não se identificar com o próprio corpo.
    tive e tenho acne,não muita,mas o suficiente pra me deixar insegura. não tinha seios praticamente e coloquei silicone aos 20 por que queria me sentir melhor ou “mais feminina”,funcionou por um tempo…depois foi a cirurgia para “arrumar”as orelhas,que era tipo de duende e por isso nunca prendia os cabelos desde que me entendia por gente.
    entendo bem tudo que vc descreveu pq mesmo sendo teoricamente magra,não me enxergo assim,sei o que é se olhar no espelho e ficar vendo todas celulites gorduras,e de pensar como não somos “boas o suficiente” para parecer com aquelas modelos da revista. eu estava até numa fase legal,me sentindo bonita,de bem comigo tinha descoberto o feminismo(logo após parir meu filho ) quando começou a “febre”do instagram,e dos igs fitness… não vou negar que acho lindo não ter celulite,pernas torneadas e barriga tanquinho,então tratei de “seguir”todos os igs possíveis pra ficar igual,resultado disso? bem tenho me exercitado,e troquei diversos alimentos,devia me sentir melhor né? pq o foco seria a saúde….mas não é assim que me sinto,agora estou mais noiada do que tudo,não consigo comer nada sem fazer a equação gordura—celulite… e eu nunca fui gordinha…. tenho 25 anos,55 kg e 1,63 (quer dizer parei de me pesar pq a cada vez queria mais e a ultima estava c 54,porém decsonfio que estou c 55 mesmo) então é isso,é tanta mensagem que botam em cima da gente pra sermos saudáveis,que vc acredita! pq se vc for olhar,esses igs não nos dizem apenas olha isso é saudavel,pode comer… não,els mostram comam isso e vc terá meu corpo… sendo que por tras tem tanta coisa,que a gente se ilude e fica feito eu,achando que nunca será boa o suficiente. gente eu tenho 25 e já fico vendo ruga,marcas na pela etc me sinto com cara de 50-60,e isso me faz mal…. mas pq??? não deveria ser bom envelhecer tb? enfim. desabafei,e nem sei se tá fazendo sentido. obrigada pelo post.
    beijos

  2. Miss A

    Eu nunca fui gorda, meu peso era 50-51kg, até começar a trabalhar e adoecer. Em dois anos passei a ter 62kg,tenho compulsão por comida e não consigo passar um dia sem contar as calorias e me xingar por comer, minha meta é de 500kcal a 700kcal no dia. Pretendo voltar a pesar 51kg mas não sei se vou conseguir me ver melhor. Nunca achei bonita, já me cortei muito, meus médicos me viciada em remédios e agora estou em um redemoinho.
    Obrigada pelo texto, me senti explicada.
    Também sou bissexual e apesar de me sentir a vontade para me assumir, não posso, pois a família da minha mãe me odiaria. Minha avó já me magoa por não aceitar que sou agnóstica, quem dirá bi?
    Desculpa o desabafo.

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