Um apelo à comunidade médica: keep calm and guarda a guia do nutricionista!

Um apelo à comunidade médica: keep calm and guarda a guia do nutricionista!


Queridas médicas e médicos,

venho por meio desta, expressar mais uma frustração colhida após me consultar com um de seus colegas da área.
Há anos eu não faço o tal do check up completo. Sim, anos. Só agora, aos 22 anos, pude ter um plano de saúde (e ainda to me endividando pra paga-lo, vai veno). E que privilégio esse, viu?!  Conseguir marcar uma consulta com menos de 3 meses de espera é fantástico! Eu não sabia que era assim, tão massa. Eu só conhecia o contrário… Desde o nascimento fui usuária do Sistema Único de Saúde. Já passei altos perrengues pra ser atendida… Minha mãe que o diga! Várias tretas ela teve que enfrentar quando a situação era grave e a neglicência&ineficiência [do SUS] beirava o desespero.

Mas o mote da minha frustração foi voltar da consulta com uma frase na cabeça: “Eu sabia que seria assim”.

Doutoras e Doutores, eu sou uma mulher gorda, sabem? Ou “obesa mórbida”, na língua de vocês.
Toda vez que eu agendo uma consulta, seja para qualquer especialidade, eu já prevejo o resultado e, quase como um guru adivinhando a Copa do Mundo, eu sempre acerto o que vocês vão me falar.
Vocês me botam sentada na sua frente, e enquanto escrevem qualquer coisa com uma letra ilegível, eu falo porque estou ali.
Quando deixam de lado a caneta, vocês me olham. Poucos de vocês encostam em mim. Poucos de vocês me examinam com o estetoscópio. Poucos olham a minha garganta. Poucos aferem minha pulsação. Poucos aferem a minha pressão.
Nenhum de vocês me escutam. Eu falo, falo, falo… Mas nenhum de vocês teve a capacidade de ouvir o que eu tinha pra falar.
Vocês não imaginam o quão ruim é ficar lá parada, na frente de um estranho, falando sobre o meu corpo, e esse estranho -que a priori, iria me ajudar- não dá a mínima. É horrível. Sério. É bem ruim. É desconfortável. Me faz sentir inútil.
O ato de vocês ignorarem as minhas falas, só me traz como conclusão umI don’t care, baby, isso não serve de nada, vou seguir a cartilha”.
E veja que interessante: vocês, profissionais, estão à dispor para ajudar as pessoas, não é? Baseado naquilo que elas trazem, baseado nos sintomas delas. Porque com pessoas gordas, isso é diferente? Porque o diagnóstico é sempre o mesmo, mesmo que os sintomas sejam diferentes? Porque vocês não ouvem seus pacientes gordos.

 

art by Mokojumbie

art by Mokojumbie

 


Dia 15/07, às 14h – Horário marcado com um clínico geral.

 

Cheguei lá na sala de espera, preenchi a ficha e fiquei aguardando minha vez. Eu havia me planejado, sabe… Escrevi 1500 caractéres no bloco de notas do celular com o meu histórico. Achei bom senso fazer isso mesmo… No início pensei  “Aff, sério, pra que, eu vou lembrar de tudo…” Mas não. Eu nunca lembro. Mas eu fiz isso porque comprei a ideia da minha psicóloga. Foi ela que me atormentou por vezes com essa ideia. Ela que me convenceu. Achei plausível. Segui o conselho, já que eu não tinha nada a perder. No entanto, eu não cheguei a falar metade daquilo que eu havia planejado. Não deu. Fui interrompida várias vezes. Fui acertada por um olhar de descaso enquanto falava. Eu não mencionei nada sobre emagrecimento. Eu não disse absolutamente nada sobre dieta ou alimentação. Eu não lembrei de cirurgia bariátrica. Nem nutricionista.
Nada. Falei de coisas que me afligiam há tempos… Falei das minhas pneumonias mal curadas, falei da qualidade do meu sono, falei de mim e eu só ouvi no final um:
“Jéssica, você sabe que é obesa mórbida e que precisa perder peso, né? Vou pedir alguns exames de sangue… os básicos, pra gente ver como tudo está indo. Se algo der alterado nos exames, a gente avalia melhor. Mas você precisa perder peso. Não to falando pra você ficar magrinha não… mas  precisa chegar aos 100kg, pelo menos”.

Vocês entendem quando eu digo que não fui ouvida? Do início ao fim, eu não fui ouvida!  Quando entrei no consultório, meu corpo gordo e grande fez soar o alarme na cabeça desse profissional, que automaticamente teve certeza que eu estava lá só por: Emagrecimento.
Mas EU não estava lá pra isso. Eu queria exames diversos para avaliar o funcionamento dos órgãos do meu corpo, como pulmão (sou fumante. mas ngm liga pra isso, eu tenho que emagrecer), meu rim, meus seios (há 4 dias senti algo estranho quando me apalpava, mas quem liga? Se eu emagrecer, isso some, né)…. Enfim, meu corpo! Eu queria saber como estava toda essa engrenagem.  Só.
Mas eu não fui ouvida. O médico que me atendeu, não me ouviu. Só falou e falou sobre aquilo que vocês sempre falam para uma pessoa gorda…. Regurgitou o mesmo discurso de sempre, sem se importar comigo.

Os médicos e médicas que já me atenderam um dia, não se importaram comigo. Não se importaram porque não me ouviram. Não acharam que tudo aquilo que eu falava era pra ser considerado, levado a sério…

Vocês não se importam com seus pacientes gordos quando, obrigatoriamente, entendem que eles estão na consulta procurando um emagrecimento.
Vocês não se importam com seus pacientes gordos quando passam uma guia de nutricionista sem que a pessoa manifeste tal vontade.
Vocês não se importam com seus pacientes gordos quando ignoraram as queixas dessas pessoas com um “Você precisa emagrecer urgente”.
Vocês não se importam com seus pacientes gordos quando  dão dicas de dietas, numa consulta que não era sobre isso.
Vocês não se importam com seus pacientes gordos quando tratam os nossos sintomas como consequência do peso.
Vocês não se importam com seus pacientes gordos quando eles relatam todos os sintomas e vocês só ouvem como “quero emagrecer, quero emagrecer, quero emagrecer”.

Vocês não se importam.
A verdade é que:

Vocês
não
se
importam.

Porque?! Porque?!

Como vocês acham realmente plausível, encontrar uma pessoa desconhecida, fazer com que ela fale tudo aquilo que sente e/ou aquilo
que ela precisa de vocês [médica/médico], e achar que tudo -eu digo, absolutamente TUDO-, seja por conta de emagrecimento?!
COMO! A pessoa te conta que já sentiu dores ao respirar, já disse que é fumante há anos, passou por pneumonias e você, com anos de ciências médicas e o escambal no currículo e na mente, recomenda que ela PERCA PESO?! Como você pode recomendar SÓ, exclusivamente, a perca de peso!? A maioria de vocês fazem isso, exatamente isso.

Eu acho surreal da parte de vocês. Sinto vontade de dar um tapa na cara de cada um quando isso acontece. Sério, um tapa na cara de “ACORDA, CARALHO!”. Porque não faz sentido.

Anotem isso: Nem todos querem, necessariamente, perder peso. Nós somos gordas e gordos, mas nem todos queremos e pleiteamos o emagrecimento a cada consulta médica, em qualquer especialidade. Temos vários outros órgãos em funcionamento no nosso corpo. Temos carga genética. Temos hereditariedade.Temos história, cicatrizes. A cura para os nossos problemas não está no emagrecimento compulsório.

 

Galápagos: Jeanne Lorioz - Contemporary Art

Galápagos: Jeanne Lorioz – Contemporary Art

 


 

Ontem eu assisti um epsódio avulso de Greys Anatomy. A Dra. Young operou o inoperável. Ela devolveu expectativa de vida à um senhor.
Ela ficou toda feliz ao saber que poderia reverter o quadro (o cara ia morrer em poucos meses) e deu a notícia ao senhor e a esposa: Eles ficaram tristes. Foram ao hospital porque o senhorzinho tinha quebrado o tornozelo. Fizeram alguns exames e detectaram o problema no coração dele.
Mas o cara já sabia. Já tinha o diagnóstico há anos, e não tinha o que fazer… Ele já estava ok com a situação e estava curtindo muuuuito a vida junto com a esposa.

Ok, esse foi só um exemplo que eu lembrei aqui pra tentar mostrar que, cada pessoa gorda que entra no seu consultório doutora-doutor, é única. Às vezes, a pessoa que você está atendendo, só quer curar mesmo o tornozelo dela. E só. Às vezes ela só quer o fim da gripe, e só.
Então, eu peço encarecidamente, que vocês ouçam essas pessoas. Mas ouçam de verdade porque o que elas tem a dizer é extremamente importante. E se essa pessoa gorda não mencionar nada sobre emagrecer, keep calm and guarda a guia do nutricionista!
Tá tudo bem… Sério. Nenhum órgão vai retirar seu CRM por você ter ouvido e dialogado com seu paciente, sabe… Fica com a consciência tranquila.
Vocês acham mesmo que cada gorda que entra no consultório, NÃO SABE que é gorda? SÉRIO?! Poxa vida, hein, que ingenuidade…
Não subestimem as pessoas… Deixem essa mania de lado. Quando somos pessoas gordas, não podemos nos dar ao luxo de não saber o que a gordura pode causar, porque a medicina e padronização dos corpos estão juntas em todos os cantos. Não há escapatória. Qualquer lado que olhamos, qualquer pessoa que conversamos… Sempre ouvimos um discurso médico sendo reproduzido. Sempre ouvimos o que
faz bem e o que faz mal. Sempre. É o tempo todo assim, juro.

Sei que a função de vocês é salvar vidas e que vocês tem gordura como inimiga número 1, mas… Pelo menos uma vez, deixem a reza da cartinha de lado e se preocupem realmente com seus pacientes. Ao invés de indicar um nutricionista, pede um exame mais completo para avaliar a tal dor ao respirar. Ao invés de uma guia para o endocrinologista, pergunta ao seu paciente se ele/ela já esteve nesse especialista antes e, se a resposta for sim, tenha interesse em saber o que houve, como foi… Pergunte antes de indicar. Ao invés de passar algum remédio paliativo, pergunte se a pessoa já fez determinado exame… Se ela não fez, então o peça.
Ao invés de acharem que toda pessoa gorda quer emagrecer, pergunte o que ela quer.
É muito mais humano da parte de vocês, nos tratarem como pessoas conscientes da nossa estrutura corpórea.
É muito mais humano perguntar ao paciente se é da vontade dele/dela fazer tal coisa, do que ir logo pressupondo tudo e já ir rabiscando os pedidos.

Fica aqui registrado meu apelo à co munidade médica, para que desenvolvam atendimentos realmente atenciosos para com as demandas das pessoas gordas. Fica meu apelo para que vocês, médicos e médicas, que se contenham ao estar de frente para uma pessoa gorda. Não se preocupem com as estatísticas mundiais: nós gordas, sabemos que somos parte desses números. Não se preocupem em voltar pra suas casas, deitar a cabecinha no travesseiro e pensar que não indicou nada de emagrecimento praquela paciente obesa que te visitou hoje: se ELA não te pediu por isso, então tá tudo bem… Fica tranquilo. Cada pessoa sabe bem o que faz.

 

 

by Marielle Gallant

by Marielle Gallant

Por favor,
se importem com as pessoas gordas.
não somos um pote fechado de pura gordura.
Há muito mais coisa para descobrir.
Basta vocês se importarem.

 

 

26 Comentários

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  1. Marta

    Fui ao endócrino faz umas semanas e ela me passou uma receita de 1200cal.

    Uma semana depois, quase desmaiei na rua, de fome e pressão baixa.

    Meus exames estão todos ok. Menos a tireóide.

    Não entendo como que passa dieta antes, exames depois. Não entendo nem porque fazer dieta se tá tudo bem. Tô no sobrepeso, mas ninguém diz “olha. seus exames estão ok. relaxa e curte essa pancinha.”

  2. Rê_Ayla

    Primeiro, sinto que isso aconteça. Tenho amigos que passaram por isso… O caso da minha melhor amiga é emblemático: gorda, beemmmm gorda… (e tentando emagrecer de todas as formas sem conseguir)… sabe a quantos médicos ela teve que ir, até ser bem atendida e a Dr pedir exames detalhados de sangue, dosagem hormonal, eletrocardio, etc??? Perdi a conta, só sei que a cada ida ela me contava que o médico dizia “emagreça” sem investigar tudo, a saúde, o que estava errado… Daí depois de váááriosssss médicos ela achou um que resolveu ouvir e pedir exames detalhados de tudo antes de dar um diagnóstico. Pois bem: endometriose + alterações nos níveis de hormônios femininos. Agora, só depois disso, ela está sentindo-se melhor e conseguindo, aos poucos, o que queria: perder um pouco de peso e não ter mais incômodo de dor na região abdominal (que não era causado por gordura, mas por problemas no aparelho reprodutor).

    E digo o seguinte: o pior de tudo é que os médicos não agem assim, sem ouvir o paciente e o que ele tem a dizer, apenas com quem eles julgam “obeso”… Já passei e continuo passando por isso também… Falta humanização na formação médica, disposição de ouvir o paciente… Porra, sou fumante e gineco nem ouve, por exemplo, mas já quer receitar pílula (que é bomba pra quem fuma né)… Pneumologista já indica “pare de fumar” antes de avaliar o aparelho respiratório (e meu check up diz q meus pulmões estão lindos, obrigada! além disso não tenho intenção alguma de parar de fumar)… Agora que tive uma lesão muscular séria, tive que ir a 5 (CINCO!!!) ortopedistas diferentes com ressonancia em mãos até achar um que ouvisse e cuidasse do problema direito (investigando até meus hábitos alimentares pra que o tratamento e a regeneração muscular fossem feitos corretamente)… Enfim, falta OUVIDO e HUMANIDADE aos médicos e sobra aquele sentimento de “SOU DEUS”…

  3. Ana

    Às vezes, eu tenho a sensação de que, se vc entrar num consultório com suspeita de, sei lá, tumor cerebral e for gordx, a orientação AINDA VAI SER emagrecer. Eu devo ter ido a uns dois médicos na vida que não correram me mandar perder peso só por pisar no consultório deles. E eu não admito que o médico vá querer tratar minha queixa – uma gastrite, por exemplo – com um “emagreça”. E paciente magro? Não tem gastrite, por acaso? Magro não adoece, não quebra osso? Sei lá se me parece certo pagar plano de saúde e visitar uma pessoa que estudou no mínimo 6 anos pra sair de lá com uma orientação que qualquer caga-rega de internet pode me dar. “Emagreça”.

  4. Leide

    Sei cumé tudo isso. Sou gorda eTenho tendinite na região do trapézio e ombro. Quando a dor aperta, tenho que ir a uma emergência e tomar uma injeçãode relaxante muscular. Traduzindo, conheço minha doença, meu corpo, só não posso me auto medicar.
    Em 90% dos casos os médicos das emergências dizem que a culpa toda é da minha obesidade e nem querem me receitar o meficamento que preciso. Teve uma situação extrema em que um médico brigou, gritou comigo: “Vc tem que parar de comer fritura! Eu: Eu não como fritura, senhor! Pare com os refrigerantes! Não bebo refri, senhor! Pare de comer bacon! Sou vegetariana, senhor!” O médico não me conhecia, tinha me visto pela primeira vez na sala de emergência e já descarregou um monte de idéias pré concebidas sobre uma pessoa gorda e sua alimentação! Foi horrível!

  5. Cecilia

    Vc não fazia check up há anos por falta de plano de saúde. Eu adio e adio e adio consultas médicas diversas e me automedico há anos exatamente porque eu sei que, mesmo que me peçam exames antes, mesmo que esteja tudo nos conformes nos exames, sem nada alterado, vão me mandar emagrecer e vão dizer que é disso que eu preciso. Eu tenho horror a médico, tenho horror a falta de “ouvido” e ao excesso de “olhos” e prejulgamento deles. Odeio que julguem a minha saúde pelo meu corpo. E nunca teve um, nunca, que não fizesse isso.

  6. Jéssica

    Querida, você foi ao profissional errado, o único profissional capaz de fazer terapia nutricional, plano alimentar(dieta) é o Nutricionista. Vá a uma boa Nutri, que sem dúvidas ela vai vai uma plano alimentar adequado para você.

  7. Thais

    OI Marta!!!
    Te entendo totalmente também tenho sobrepeso que agora chamam de pré obesidade, tenho todos completamente todos os meus exames normais, mas sabe estou remando contra a maré falta um ano e meio para terminar meu curso de nutrição e quando entrei pensava exatamente assim era e sou completamente feliz com meu peso, mas durante farias disciplinas fui descobrindo os problemas que a nossa barriquinha sex poderia causar, hoje sou consiente das duas partes, mas como futura nutricionista do fundo do coração nós não fazemos isso por mal…

  8. Priscila Souza Vargas

    Muito bom, falou tudo…bem assim que me sinto ou sentia quando eu ia..porque depois de um tempo desisti de ir, não adiantava de nada, era só emagrecer e emagrecer..aff
    Se fizessem um exame em mim (uma pessoa obesa mórbida) veriam que sou mais saudável que muitaaa pessoa magra aí…Alias isso também se encaixa em outras especialidades né..porque é muito dificil um médico te examinar de fato!! Enfim excelente texto..Parabéns

  9. Renata Alves

    Olá,

    Parabéns pelo seu relato! E ainda acham que só no SUS o atendimento médico é ruim (e pode nem ser).
    Infelizmente, seu relato não é surpreendente… parece que na faculdade de Medicina, esquecem (ou não abordam) a necessidade de escutar o paciente, para saber qual o objetivo dele com a consulta e até conseguir outras informações, mesmo sem importância, para o diagnóstico.
    Sou nutricionista, e não me senti incomodada com a sua reluta na consulta com um profissional específico. Porque eu, sim, pergunto, e muito, ao paciente, qual seu objetivo, sintomas, problemas que mesmo não estão envolvidos com a alimentação. Minha consulta dura 1 hora e o paciente ainda não sai com o plano alimentar, pois preciso de tempo para avaliar o que é necessário, através da alimentação, ajudar meu paciente a atingir seu objetivo. Acredite, já teve casos (plural) de homens querendo melhorar sua disfunção sexual e é possível com alimentação.
    Lamento, muito, o comentário da Marta, em que o endocrinologista deu uma dieta de 1200 kcal. Primeiro, porque ele é proibido em fazer isso (sabiam?) e deveria ser denunciado por exercício ilegal. Segundo, ele nem fez uma avaliação se as necessidades dela seriam essa (tanto que não foi) – cada macaco no seu galho. Paciente deve questionar o médico de suas condutas! Aceitar tudo, sem perguntar o porquê, pois “o médico que mandou”, pode lhe causar mais problemas que soluções.
    Sugiro que procure um profissional nutricionista sério, que pode ajudar em seus outros problemas de saúde. A saúde é de dentro para fora e os órgão trabalham em conjunto. Não tenha o preconceito (ao contrário) de achar que todo nutricionista quer emagrecer o paciente (como você relatou dos médicos). Queremos a saúde do indivíduo!

  10. Giovana

    Eu já estive no seu lugar, sei exatamente tudo o que você sentiu. Acabei ouvindo um médico e realmente levando a sério o troço do emagrecer e descobri que muitos deles tinham razão ao sugerir isso, sabe? Com 30 kg a menos, as queixas com as quais eu ia no médico forma diminuindo. Dores nos joelhos, na lombar, problemas respiratórios, sono, ciclos menstruais desregulados.

    Eu não concordo com a forma desumana com a qual eles nos tratam, mas tem uma coisa aí bem importante quando se trata de obesidade. Talvez, assim, só talvez, ser obeso não seja lá muito bom pro nosso corpo e demostre desequilíbrios no sistema inteiro.

    Não sei, isso era um troço que me incomodava tanto que eu resolvi eu mesma pesquisar sobre minha saúde e decidir entrar num tratamento de emagrecimento, por mim, calando todas as vozes e tentando ouvir o que estava latente em mim. Foi a melhor coisa que fiz.

  11. Ernani

    É vetado ao Endocrinologista passar dieta, apenas o nutricionista pode e isso está garantido por lei. Ele está correndo o risco de perder o Registro, isso não pode ser feito do mesmo jeito que um nutricionista não pode passar medicamentos.

  12. Mayara Moreira

    Gostei muito do seu depoimento, me inspirou a falar Um pouquinho de mim… Sou obesa, fui a vida toda desde sei la uns 7 anos, quando eu era nova demais para ser a culpada por isso e culpavam minha mãe que tentava me controlar. Ja visitei inúmeros endocrinologistas que tiravam a dieta pronta e me mostravam tudo que eu ja sabia, ja tentei arranjar milhões de justificativas pra isso, ja tomei inúmeros remedios (bem aqueles que a ANVISA proibiu, e eu ainda era adolescente, em desenvolvimento, tive problemas de adulto como taquicardia enquanto me matava na esteira como efeito colateral do remedio). Aos 16 anos comecei a fazer o curso técnico em nutrição, e me apaixonei pela área. Fui fazer faculdade de Nutrição, ainda obesa, preocupada com o que os meus futuros pacientes diriam sobre isso, e graças a deus encontrei o melhor curso da minha área, na UNIFESP, nossas aulas são voltadas ao acolhimento, promoção a saúde no sentido de ser saudável pra vc, N importa seu peso e o que outros pensem e me senti muito confortável, mais do que isso, me apaixonei pela ciência e pela possibilidade de conseguir compartilhar tudo que aprendi nos 4 anos ainda sendo gorda, sofro na pele a história do nao ter tempo pra cuidar de mim porque gasto muitas horas do meu dia estudando e trabalhando para cuidar dos outros, e estou bem com isso! Faço do acolhimento um mantra na minha vida, hoje me especializo em idosos e cerca de 80% são encaminhados para mim sem saber, sem querer e principalmente sem pedir! Por isso tomo um extra cuidado em entender toda a história, qual a relação dele com o alimento, com as pessoas e com os profissionais de saúde, tenho muitas cicatrizes e por isso faço questão de entender e conhecer a dos outros. Dizer que seu atendimento é individualizado é muito fácil, mas fazer seu paciente e a familia dele sentirem que alguem se importa é realmente o diferencial. Te entendo, porque hoje conhecendo um pouco mais da área, sei que a imensa maioria dos profissionais de saúde e principalmente nutricionistas tem uma visão culpabilizadora, e sinto tanto em dizer que as pessoas são ensinadas assim, e acham que isso é o normal. Mas espero que te conforte que estamos lutando com unhas e dentes para acabar com esse estereótipo e com essa ditadura!!

  13. Mariana

    Olá Marta, é difícil não se sentir prejudicado quando um profissional que não tem competência para isso, acabe te prescrevendo algo que não é atribuição dele. As tais 1200 kcal infelizmente foram prescritas erradamente. Se ele pudesse te prescrever um plano alimentar , então estudaria Nutrição, entenderia exatamente suas necessidades e baseado no que você precisa, teria prescrito, não se limitando somente a quantidades de gramas ou kcal, mas a qualidade que sua alimentação e organismo precisam. Todos os dias converso com pessoas que vivem um pouco dessa infeliz realidade e de fato, não é fácil. Acredito que ainda há profissionais competentes que defendem a vida também. Deixo minha positividade e apoio a todos ! 🙂

  14. Lili

    Primeiramente, digo que me solidarizo com a causa.

    Eu que nunca fui obesa, mas já estive uns 8 kg acima do peso, fui a um ortopedista por dores no joelho. Contei meu histórico. Fui atleta na adolescência, meu joelho deu zica aos 14 anos e nunca mais fiquei boa 100%.

    “Você está um pouco acima do peso, tem que perder.”

    Reforcei que tinha dores desde que era uma magrela vara-pau e que, justamente por não estar podendo me exercitar, havia ganhado peso.

    Foi como dizer “Veja, que belo dia.”

    Ele reforçou a necessidade de perda de peso e EXERCÍCIO.

    MÁ MEU TIO,…
    CO-MO eu iria me exercitar com o joelho podre?

    Me decepciono diariamente com os médicos do nosso país.

  15. Maria_Caram

    Eu acho sinceramente que soma-se o preconceito à uma falta de atenção crônica na medicina. Mudei para Belo Horizonte ha 4 anos e tenho um longo histórico de problemas hormonais. Estou no meu quinto ginecologista na cidade, sofrendo de dores e desregulamento de ciclo e até abril desse ano nenhum médico tinha escutado/olhado meu histórico e minhas queixas. Meu medico atual descobriu e retirou 3 miomas (que causavam as dores) e está, junto comigo, avaliando o melhor tratamento anticoncepcional. 4 anos de dores que eram “apenas frescura e toda cólica é assim mesmo” Falta e muita, humanização e humildade. Além, é claro, de respeito

  16. Marina

    Olha amei o texto, não tem uma vez q eu n vá ao médico, isso desde criancinha que ele n diga: “Tem que emagrecer”, “Tem que fechar a boca…”, na infância odiava ir ao médico, era sempre assim, meus irmãos magros se pesavam, depois eu me pesava, e uma enxurrada de críticas, e eu que nem como tanto assim me sentia muito mal, meus irmãos sempre eram ouvidos, eles investigavam suas queixas, já para mim o mesmo diagnóstico: Ser Gorda!
    Cara minha irmã mais velha é super magra, tipo 1,65 e 46 kg, come feito uma coisa, ela consegue comer uma pizza inteira, nem liga para alimentação, come pizza, doces, bacon…eu sou vegana, mas só por causa do meu “sobrepeso” todo mundo vira médico, e quer da pitaco na minha saúde, antes eu ficava com sorrisinho amarelo, hoje mando tomar no cú mesmo pq eu n sou obrigada.
    Passei a vida sendo comparada com meus 2 irmãos super magros, como se eles fossem exemplos de saúde e eu n, não entendem que é genética, eles são “”””magros de ruim”””” eu sou “””Gorda de ruim”””, passei a vida acreditando q eles são melhores que eu, ainda mais minha irmã, super magra e bonita, sempre me comparavam com ela, hoje consigo entender que eu sou tão linda e saudável com 1,60 e 98kg, quanto ela com 1,65 e 46…Aliás sou mais saudável, n tenho colesterol, n como gordura, carne, amo salada…já ela com toda sua magreza não é bem assim..”Ah mas ela é magra!!!” ,Sim já ouvi muito isso, depois ainda dizem que n é por beleza…ah vá

  17. Samara

    Pelo amor de Deus. Me diz que vc disse isso pro médico e largou a guia em cima da mesa dele e foi embora, pq de não for assim eles não vão mudar nunca. Volta la e diz por favoooorrrr.

    Espero do fundo da minha pança que vc não tenha apenas levantado e agradecido.
    Boa sorte
    Bjs

  18. Patrícia

    Minha irmã obesa faleceu de câncer no cérebro. Advinha o que veio escrito na “causa mortis” ?!!?!?!?!?!?? Sim, você acertou: OBESIDADE MÓRBIDA!!!!

  19. Humberto Junior

    Minha esposa é diabética. Quando a conheci ela estava bem magrinha devido a diabetes. Ela tinha acabado de descobri a doença e ainda não tinha iniciado o tratamento. Com o tempo e o tratamento ela recuperou peso, mas, como sequela também ganhou quilos a mais. Ela passou a se julgar feia pois agora ela tinha barriga! Precisei de um esforço danado pra mostrar a ela que ela não estava feia, ela estava saudável. Olhando as fotos da época que nos conhecemos mostrei a ela como ela estava extremamente magra, pernas e braços muito finos. Hoje ela está bem consigo mesma e seu sobrepeso. E se deu conta de que não importa seu peso. Hoje ela está saudável. E eu a amo gordinha ou não. Amo a mulher, a pessoa maravilhosa que ela é para mim e, principalmente, para ela mesma!
    Parabéns pelo texto!

  20. Cris

    Seu depoimento me fez lembrar a minha ginecologista. Ela não se limitou a olhar meus exames ginecológicos e de sangue, que por sinal estavam todos ok, e teve de dizer: eu sei que você é alta, mas não tem necessidade de estar gorda desse jeito.
    Conclusão, tive que mudar de médica.

  21. Thais

    Não é só com pessoas gordas não. Até do fisioterapeuta eu tive que ouvir que eu precisava engordar. Eu sei que minha saúde não vai bem por conta da minha má alimentação mas estou procurando os especialistas certos. Agora, fisioterapeuta falando da minha dieta é sacanagem.

  22. Na

    Primeira vez que passo por aqui, ótimo blog!

    Posso contar uma historinha com minha antiga dermatologista? Já digo antiga, pra você ter uma ideia do que ela aprontou.
    Bem, cheguei em seu consultório (particular nada barato), procurando uma solução para meses com urticária nervosa. Ela mal encostou em mim, receitou um medicamento e ordenou que seria tomado todos os dias, eternamente. Estranho, mas como eu estava a beira da loucura, comecei a tomar. Resolveu, por falar nisso. Em seguida, na consulta, perguntei se havia algo para amenizar minha acne. Eu já estava com 28 anos e cara de 15 = bem espinhenta. Foi aí que ela me receitou ROACUTAN. Fui na fé e na coragem, fiz os exames de sangue e estava tudo bem. Sem orientação alimentar alguma, segui tomando religiosamente o medicamento. No quarto mês de tratamento (não tendo nenhum efeito colateral grave), ela resolve pedir mais exames, pra ver como tudo estava indo. Foi ai que a bomba estourou. Tudo estava desregulado, fiquei mega preocupada. Quando fui falar com ela, a cara de pau me olha e diz: “você precisa emagrecer!”. Ela me responsabilizou por tudo! Por ser gorda, não ter fechado a boca (olha só, quem toma esse remedio tem que seguir uma dieta à risca, mas ela orientou algo? Não!), e a única coisa que imagino que a bruaca pensou foi: ela deve comer só alface.
    Eu sou vegetariana, na época havia 7 anos. Bem, eu já estava acima do peso quando comecei. Imagina minha cara? Resultado: fui parar no cardiologista.
    Tudo isso pelo erro imbecil, resolveu me culpar pelo tratamento ter me prejudicado, por ser gorda. Ela deveria ter pedido exame de sangue todo mês, mas o fez? Não! O tratamento deu errado pq sou uma vegetariana gorda, que deve ser alimentar melhor do que ela jamais fez. ¬¬’

    OBS: Dois anos depois fui a outra dermato que me tirou o medicamento de urticária, pois achava errado tomar esse medicamento por tanto tempo. A coisa não voltou.

    Cuidado sempre, prestem atenção nos médicos, não confie 100%… procure sempre que possível uma segunda opinião!

  23. Carla Soares

    Muito obrigada por trazer essa discussão, Jész. A questão da medicina e da falta de escuta crônica que assombra seu exercício é muito séria. Sua experiência como gorda é diferente dos não gordos, pois carrega visivelmente essa discriminação. Mas, ainda assim, gostaria de ampliar essa discussão. Você e outros gordos sofrem preconceitos sistemáticos em situações médicas. Mas, de uma maneira geral, a sensação de não ser ouvido pelos médicos é MUITO frequente. Gosto muito do movimento do parto humanizado (apesar de não ser mãe, e nem desejar ser) por isso. Acho que essas mulheres estão pautando um questionamento bem contundente sobre ser ouvida, ser acolhida, ter voz ativa no processo de decisão sobre o próprio corpo. Não é (só) sobre parto normal, mas sobre autonomia de decidir sobre o corpo, que vêm da possibilidade de ter informações. A informação libera você pra decidir. Não o medo (da dor, da morte, ou da gordura): esse é irmão da coação que os médicos exercem. Tô com elas e não abro. E acho que é a partir dessas vozes que eu espero que esse tipo de questionamento chegue a outras especialidades médicas e a outros corpos. Acho essencial que apareçam mais relatos como o seu. Não sou gorda atualmente, mas choro com frequência quando preciso de médico. Choro literalmente. Adio, falo que vou morrer uma hora de uma coisa estúpida (ou de uma coisa séria, pois já tive câncer e foi foda) simplesmente porque é difícil demais não ser ouvida, difícil demais ter de me submeter infinitamente ao poder médico sem poder dizer nada. Enfim, meu comentário não é sobre mim. Só queria elogiar sua coragem, pois desafiar esse poder médico, seja dentro dos consultórios e hospitais ou fora dele, exige um bocado dela. Obrigada pelo texto.

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