Aceitou o desafio: Anna Lima #desafioartegorda

Aceitou o desafio: Anna Lima #desafioartegorda


Uma mulher que vocês devem conhecer: Fernanda Magalhães.

Sou fã desde a primeira vez que me deparei com um de seus artigos quando eu procurava referências para me auxiliar na escrita de um pseudo-projeto de apresentação na UNIFESP. Não consegui grandes coisas porque a burocracia acadêmica não me cabe bem, mas fui lá e apresentei. Foi uma experiência incrível. Mas o que ficou mesmo foi encontrar o trabalho da Fernanda. Me identifiquei logo de cara e passei a ler tudo sobre ela. Essa mina é maravilhosa! Faz de si mesma o próprio resultado final de seu trabalho. Seu próprio objeto de estudo e o fez com maestria.
Natural de Londrina-PR, Fernanda faz da arte sua sobrevivência “Assim, o trabalho é resultado direto de minha ação como artista, não só em minha produção artística, mas também no cotidiano. Uma ação política de vida.” como ela mesma descreve. Acho que por isso me identifiquei logo de cara. Era a primeira vez que eu conhecia uma artista, mulher e gorda, que usou seu corpo para manifestação artística e empoderadora.
A série “A representação da mulher gorda nua na fotografia (1995)”  é o trabalho que mais me tocou e que impregnou na minha mente fazendo com que eu estabelecesse uma relação muito íntima e solitária com ela. Isso. Por um tempo, tive uma amiga imaginária e ela era a Fernanda! Enquanto buscava forças pra escrever aquele pseudo-projeto (que eu mal sabia por onde começar e quiçá, terminar) que eu mencionei acima, conversava com ela em pensamento. Pedia forças para saber encaixar as palavras (coisa que eu não tava conseguindo há tempos), questionava em voz alta no meu quarto vazio -com ela. Na minha cabeça, ela respondia. Foi uma coisa meio que Julie&Julia, sabem? Do filme? Então.  Mas voltando: Nesta série, Fernanda usa recortes de jornais, revistas pornográficas e trechos de textos dispostos no conjunto da imagem. Com uma maestria ousada e pungente, revela o corpo gordo feminino e traz à tona questões acerca da cultura lipofóbica na qual, esses corpos devam ser coibido. Abaixo, deixo a imagem e o parágrafo que me atingiram certeiro. Fernanda traduziu em um parágrafo minha vida.

 

Fernanda Magalhães – Gorda 13, série “A Representação da Mulher Gorda Nua na Fotografia”,1995. “Quero que as mulheres magras e médias encarem a disforia de sua imagem corporal e se deem conta de que há um mundo de diferença entre suas experiências de mulheres que odeiam seus corpos e minha experiência de ser gorda. Todos os corpos femininos são odiados em nossa cultura, e isso não significa que todas as mulheres sejam gordas”.

Hoje me limito a destacar só um pouco do vida-obra de Fernanda Magalhães para deixa-las instigadas a procurar por essa grande artista que se tornou referência tal importância tem seu trabalho. E que ela sirva de inspiração para outras mulheres gordas embarcarem nessa mesma viagem e utilizar seus corpos como ferramentas artísticas de embate político e social. Destaco um parágrafo de Vinicios Kabral Ribeiro sobre Fernanda:   “(…)As obras da artista transgridem não com o intuito da exibição do corpo pelo “frenesi da exibição”, mas por alinhavar as poéticas do corpo com o fazer criativo que supera a dicotomia normal, anormal. Moral e não moral. Imagens transgressoras que violam, profanam e dançam sobre os frágeis terrenos da moralidade cristã. Imagens que devolvem o pecado aos olhos dos que condenam e julgam. Quem está nua não são as mulheres gordas, não é Fernanda Magalhães. Mas todas e todos que combatem aquele corpo, que o repelem da sociedade. Seus trabalhos contestam e denunciam, mas acima de tudo colaboram para “alargar” o lugar do corpo na sociedade, possibilidades de se “engordurar o mundo”.  Em breve eu dedicarei um post todinho à ela, mas enquanto esse dia não chega, a  A Anna Lima também traz  imagens belíssimas pra gente se agarrar nelas!

Obrigada Anna <3

 

By Anna Lima

By Anna Lima

By Anna Lima

By Anna Lima

By Anna Lima

By Anna Lima

By Anna Lima

By Anna Lima

 

Sou a Anna Lima, desenho por hobby e uma das coisas que mais gosto de retratar é o corpo gordo. Nunca fui gorda. Mas vejo uma necessidade muito grande de empoderamento das pessoas gordas, sobretudo mulheres mas também homens, pois a representatividade que eles tem na mídia é quase nula, e quando existe é negativa. Meu companheiro, que é gordo e que é grande inspiração prós meus desenhos, vive dizendo que sou a única que acha o corpo dele bonito. Acho que é esse o problema: ninguém diz que ser gordo também é bonito, nunca trata-se o corpo gordo com admiração. As pessoas não conseguem vê-lo sem os óculos do padrão de beleza, ver o quanto é realmente é lindo. Eu particularmente sou apaixonada. Por isso comecei a desenhar o corpo dele, que acho maravilhoso, porque queria e ainda quero que ele veja o quanto é bonito independente de qualquer padrão. E vendo essa beleza no corpo gordo e gostando de retrata-la, passei a achar que isso é uma coisa que muitas mulheres gordas precisam também. Ter seus corpos fora do padrão retratados de forma positiva, bela, sem tabus, sensual (não fetichizado!!!), ter representatividade na arte também como algo belo. Entrei no desafio porque quero fazer minha parte nisso, inclusive enquanto feminista, pois a coisa que mais abomino na sociedade é o padrão de beleza, essa padronização do que é belo, e a exclusão do corpo gordo dentro daquilo que é considerado bonito. Ta aqui parte da minha contribuição <3

 

 

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